terça-feira, 25 de maio de 2010

LUA NOVA, de Chris Weitz ("The Twilight Saga: New Moon" - EUA - 2010 - romance - 130min) Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado no romance de Stephenie Meyer. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Anna Kendrick, Billy Burke, Ashley Greene, Michael Sheen, Dakota Fanning.

Parece que acabei de assistir 3 filmes diferentes: o primeiro, terrível, com um casal chato pra diabo: a garotinha com cara de dor de barriga e o garoto vampiro assexuado dizendo que precisa partir (inventa mentiras "originais" como dizer que a garota "não serve para ele"); o segundo, igualmente ruim, mas com efeitos bacanas, quando a garotinha (caprichando um pouco mais na cara de dor de barriga) descobre que seu amiguinho se transforma em lobo! E um lobo gigantesco, digno de filmes de... lobisomem! E um terceiro, o melhorzinho, quando uma família vampiresca, os Volturi, dá o tom das cenas. Mas é impossível: não há Dakota Fanning ou Michael Sheen que salvem Lua Nova, sequência de Crepúsculo, de ser um dos piores filmes da história. Os diálogos são risíveis, Kristen Stewart não sabe o que fazer e Robert Pattinson, o vampiro-adolescente assexuado de 109 anos, é de uma canastrice dolorosa. É constrangedor acompanhar as cenas "românticas". Caraio, estas não deveriam ser as melhores do longa? Todo o sucesso dos livros não está amparado no par "vampiro romântico e mocinha comum"? O problema é que Pattinson "vampiro romântico" dialoga olhando para o chão e beija com semblante de dor, enquanto Stewart "mocinha comum" entende que ser "comum" é ter cara de... dor de barriga! Coitado do Taylor Lautner (o amigo lobo), que está muito longe de ser um Marlon Brando, mas consegue dizer suas falas com naturalidade e demonstrar alguma emoção sem precisar olhar o chão ou fazer cara de...

Eclipse, que minha garota diz ser o mais violento da saga (não que os dois primeiros o sejam), será dirigido pelo mesmo David Slade do sangrento 30 Dias de Noite. Será que, além de caprichar no sangue, ele consegue fazer Kristen e Robert atuarem de forma minimamente suportável? Boa sorte, Dave!

NOTA: E

domingo, 16 de maio de 2010

CLICHÊ TOP 16: U2



Bono Vox acaba de completar 50 anos. Boa oportunidade para apresentar minhas preferidas da sua banda de apoio, o U2.

01 - "Stay (Faraway, So Close!)" (Zooropa, 1993)
02 - "In God's Country" (The Joshua Tree, 1987)
03 - "One" (Achtung Baby, 1991)
04 - "Wild Honey" (All That You Can't Leave Behind, 2000)
05 - "Original Of The Species" (How To Dismantle An Atomic Bomb, 2004)
06 - "Red Hill Mining Town" (The Joshua Tree, 1987)
07 - "With Or Without You" (The Joshua Tree, 1987)
08 - "Bad" (The Unforgattable Fire, 1984)
09 - "Walk On" (All That You Can't Leave Behind, 2000)
10 - "The Fly" (Achtung Baby, 1991)
11 - "Vertigo" (How To Dismantle An Atomic Bomb, 2004)
12 - "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" (No Line On The Horizon, 2009)
13 - "New Year's Day" (War, 1983)
14 - "Who's Gonna Ride Your Wild Horses" (Achtung Baby, 1991)
15 - "The Electric Co." (Boy, 1980)
16 - "Bullet The Blue Sky" (The Joshua Tree, 1987)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

LEGIÃO, de Scott Stewart ("Legion" EUA - 2010 - ação/terror - 100min) Roteiro: Peter Schink e Scott Stewart. Com Charles S. Dutton, Paul Bettany, Tyrese Gibson, Lucas Black, Dennis Quaid, Kate Walsh, Willa Holland

Puta bobagem apocaliptica sem base bíblica alguma.

É clichê demais: o estereótipo da mãe solteira está grávida de (quem mais seria?) o salvador da humanidade. Um bando de anjos que segue ordens de um Deus que "cansou dos seres humanos" (acredite, a explicação é esta mesmo) precisa matar o rebento, com mãe e tudo de preferência, e assim, destruir o mundo. Como alguém escreve um roteiro partindo de um enredo batido destes? Scott Stewart mistura referências ao bom Anjos Rebeldes com Terminator, dando uma passadinha por O Exorcista. E não estou elogiando o longa. E dá-lhe anjos possuindo corpos como demônios (!), sangrando e morrendo feridos por armas de fogo (!!!), tudo sem a menor cerimônia ou explicação. Paul Bettany e Dennis Quaid tiveram a manha de colocar a cara nesse filme. O aluguel atrasado, com certeza. E como a criança salva o mundo? Aposto que é crucificado, mas é melhor perguntar ao Scott Stewart - ou vc vai querer ver alguma continuação desta patuscada?

NOTA: E

segunda-feira, 3 de maio de 2010

FADE IN

- Bom dia!
Chego ao 6.º andar.
8h55.
- Ela já vem te atender.
Dois minutos. A garota aparece, blusa vermelha. Não usa óculos desta vez.
- Você precisa assinar alguns papéis. Trouxe a foto 3x4?
Claro que sim. Olheiras marcantes. Barba por fazer. Como agora.
- Seu plano de saúde. Preencha e assine, por favor.
Gentil, me ofereceu sua cadeira. Aceitei, desconfortável.
- Seu carro está no estacionamento errado. Não recebeu o e-mail?
Provavelmente sim.
- Se vc deixar neste, vai gastar um dinheirão...
Chego ao 4.º andar. Quase caio ao dar um passo em falso no banheiro. Um degrau de 6 centímetros, muito bem sinalizado com fita preta e amarela. Quem é minimamente observador não tropeça.
- Sua mesa, seu computador, seus papéis. Mas ainda não tem e-mail...
Meus papéis.
- Aqui é a máquina de café. É só apertar o botão.
Gostei mais do café analógico, feito na raça pela simpática copeira e mantido em uma garrafa térmica.
- Tem garrafas de água mineral aqui. Pode colocar uma na geladeira, se quiser.
Volto ao banheiro. Tropeço outra vez. O degrau de 6 centímetros. Preciso observar melhor amanhã.

O FUTEBOL BRASILEIRO AGRADECE


SANTOS F.C., CAMPEÃO PAULISTA 2010
Felipe
Pará
Edu Dracena
Durval
Léo
Arouca
Wesley
Marquinhos
Paulo Henrique Ganso
Robinho
Neymar
André
Dorival Junior

quarta-feira, 7 de abril de 2010

TÁ RINDO DO QUÊ?, de Judd Apatow ("Funny People", EUA - 2009 - drama/comédia - 146min). Roteiro: Judd Apatow. Com Adam Sandler, Seth Rogen, Leslie Mann, Eric Bana, Jonah Hill, Jason Schwartzman.

Sou condescendente com Adam Sandler. Confesso. Para apreciar os filmes do comediante, é preciso uma boa dose de condescendência. O estilo de Sandler é do “cômico bravo”, aquele que aposta no humor negro, no sarcasmo, na ironia e, vejam vocês, na raiva. É um comediante raivoso, mesmo quando o filme pretende ser leve. Essa raiva vem aumentando consideravelmente a cada filme, e nota-se também uma procura pelo drama (quem está lendo esse post assistiu Click ou Como se Fosse a Primeira Vez?). Pois bem: neste Tá Rindo do Quê? (título brasileiro idiota para o irônico e bem sacado Funny People) Sandler vive um comediante rico e famoso que se descobre com um tipo raro de leucemia. À beira do morte, o cara transfere toda a amargura para suas apresentações de "stand up comedy" e para suas relações pessoais. E, se em alguns filmes é possível rir com Adam Sandler, em Funny People isso é impossível, mesmo na companhia da sensação Seth Rogen, também em atuação desequilibrada. Judd Apatow, o diretor das comédias “sérias” e longas demais (seus filmes não tem menos de 2 horas de duração – quem está lendo esse post assistiu aos ótimos O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos?) exagerou na dose e não acertou em alvo algum; o filme não é triste a ponto de comover e não é engraçado a ponto de fazer rir. É um meio-termo macabro que não sai do lugar, nada acontece. É impossível não compará-lo com os dois longas citados, perfeitamente equilibrados entre comédia, romance e drama.

Só não dou uma nota “E” bem vermelha para o longa porque Apatow teve a manha de jogar na tela uma ironia cáustica, inerente à vida: a funny people do filme, composta por comediantes profissionais especializados no improv apreciado por platéias americanas, é uma gente mesquinha, mentirosa, melancólica e pobre de espírito. O americano gosta mesmo de rir das suas desgraças.

NOTA: D-

domingo, 4 de abril de 2010

CÓDIGO DE CONDUTA, de F. Gary Gray ("Law Abiding Citizen", EUA, 2009 - ação - 108min). Roteiro: Kurt Wimmer. Com Jamie Foxx, Gerard Butler, Colm Meaney, Michael Irby, Leslie Bibb, Regina Hall, Bruce McGill, Viola Davis.


Quando vi o trailer deste filme, fiquei muito curioso com a premissa: Clyde Shelton (Gerard Butler) tem mulher e filha assassinadas brutalmente, na sua presença, por uma dupla de assaltantes. O promotor público Nick Rice (Jamie Foxx) faz um acordo com o mais brutal da dupla: ele testemunha contra seu parceiro – que vai à câmara de gás – e tem sua pena reduzida. Com o acordo, o malaco cumpre apenas 3 anos e sai livre. Clyde, então, começa uma cruzada solitária – e violenta – para “punir” quem ele considera culpado e, principalmente, expor as falhas do sistema judiciário americano. Mais um filme comum sobre vingança, certo? Felizmente não: preso, Clyde faz todo o estrago aparentemente sozinho. Como?

Apesar de ultrapassar a linha tênue da verossimilhança (comum neste tipo de produção), F.Gary Gray consegue construir um filme tenso e sem maniqueísmo, e é competente ao colocar dois grandes atores em choque por dilemas morais. Já fez isso em A Negociação, onde Samuel L. Jackson e Kevin Spacey encarnam os personagens cinzentos. Em Código de Conduta, é difícil até saber para quem torcer. Parece que o “mocinho” é Foxx, porém, os mais cínicos tendem a enveredar pela justiça de Butler. Isso é o que torna o filme bacana, o caráter dúbio dos antagonistas e a forma como a trama é conduzida, sem tomar partido. Até velhos clichês são utilizados para dimensionar os personagens: a ausência de Foxx em sua família demonstra que sucesso profissional é sua prioridade. Portanto, o acordo virulento com o bandido jamais soa inverossímil ou exagerado. Falando em clichês, eu dispensaria o personagem misterioso que aparece apenas para dizer o quão perigoso Clyde Shelton é: àquela altura, tanto a platéia quanto o promotor Rice já estavam devidamente convencidos da periculosidade de Shelton.

Embora esperasse maior ousadia no ato final por tudo que o filme tinha apresentado até então, não fiquei totalmente insatisfeito, porque seja como for, a lição proposta pela trama foi aplicada: quando se trata de justiça, os culpados devem ser punidos, independente do que está escrito nos livros – ou de aspirações pessoais.

NOTA: B

segunda-feira, 8 de março de 2010

Orgânico ou Mecânico? Vivos.


Guerra ao Terror é o grande vencedor do Oscar 2010. Melhor filme, direção (Kathryn Bigelow), roteiro original (Mark Boal), montagem, mixagem e edição de som.

É o primeiro Oscar da história para uma mulher na direção. É mais um exemplo de filme independente (chamam assim nos States os filmes que custam menos de US$ 30 milhões) que ganha na categoria principal do mais badalado e cobiçado prêmio do cinema mundial. Porque não dá para ficar blasé diante do Academy Awards, por mais político, suscetível à lobby, antiquado ou conservador que seja.

E é um filmaço. Trata a guerra do Iraque por um ponto de vista original: a equipe anti-bombas do exército americano, pois este é o maior desafio nesta guerra idiota: impedir os atentados a bomba, única forma de resistência da combalida guerrilha iraquiana. A direção segura e criativa da ex-esposa de Jim Cameron segura a tensão na unha, pois não havia recursos financeiros para lotar o filme de cenas de ação. Optou-se, então, por colocar dois atores em ótima forma (Jeremy Renner, indicado merecidamente ao Oscar) e Anthony Mackie (uma indicação como melhor coadjuvante não seria exagero) em paradoxo companheirismo e discórdia: um luta uma guerra que é sua vida – Sargento William James (Renner), sendo “sargento” sua profissão e sentido da vida - o outro quer voltar vivo para casa. O que Kathryn Bigelow faz com esse enredo e estes atores semi-desconhecidos é algo impressionante. Merecido Oscar de direção.

O Oscar de best picture também caiu bem – o filme é ótimo.

Mas o espetáculo do ano, o longa a ser batido daqui por diante, a inovação, a ousadia, a beleza de difícil descrição, o encantamento imediato, isso é Avatar. O filme de James Cameron custou 25 vezes mais que Guerra ao Terror, mas dificilmente sairá da lembrança de quem o viu (principalmente em 3D). Não foi pirotecnia gratuita, o filme emociona. Os conservadores que me perdoem: para mim, Avatar deveria ser o principal vencedor da noite.

Guerra ao Terror: A
Avatar: A+

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Feliz Ano Novo!

Algumas constatações deste pós-carnaval. Eu disse "constatações", e não "descobertas". Exceto para arqueólogos ou caça-talentos, não é muito saudável fazer "descobertas" quando se tem 33 anos. Sobretudo no período do carnaval, quando Deus tira uns dias de folga na Noruega e deixa o Brasil sob os cuidados do demônio.

1) O novo disco do Wolfmother é do caralho;
2) O filme Se Beber, Não Case deve ser visto por todas as pessoas que estão pensando em visitar Las Vegas. E também por pessoas que gostam de 2 horas de entretenimento sem compromisso. Ei, não estou falando do banheiro do baile de carnaval!!!;
3) A banda Kings Of Leon é foda;
4) My Name Is Earl é o melhor sitcom americano de todos os tempos (sim, é melhor que Friends);
5) Nega Fulô também é gostosa quando não está gelada. E vende em restaurante japonês!;
6) Temaki é uma comida nojenta;
7) Shoyu mancha roupas brancas;
8) A monogamia presencial me poupou de ter dezenas de chances de contrair alguma doença terminal nesse período demoníaco. Devemos sempre ver o lado bom das coisas;
9) Mickey Rourke ainda é um bom ator;
10) Alguém nunca ouviu Arctic Monkeys? Do it!
11) These Days é o melhor disco do Bon Jovi;
12) Definitivamente, EU ODEIO as concessionárias VW;
13) O filme Distrito 9 é sensacional;
14) Utilizar o transporte público deixa meu humor mais ácido que a saliva do Alien.

Ok, confesso 1: não saí do raio de 2km da minha casa neste feriadão.
Ok, confesso 2: sou um nerd mothafucka.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

BESOURO, de João Daniel Tikhomiroff (Brasil, 2009 - ação/biografia - 95min). Roteiro: Patrícia Andrade e João Daniel Tikhomiroff. Com Aílton Carmo, Jessica Barbosa, Sergio Laurentino, Anderson Santos de Jesus, Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento.

Ser um bom contador de histórias não é fácil. João Daniel Tikhomiroff, experiente diretor de filmes publicitários, escolheu estrear em longas adaptando o livro Feijoada No Paraíso de Marco Carvalho. O livro narra a interessante história do Manuel "Besouro Mangangá" Pereira, lendário capoeirista do Recôncavo Baiano dos anos 20. Tikhomiroff tinha intenção de basear o enredo na capoeira e no heroísmo de Besouro, e contratou o chinês Huen Chiu Ku (coreógrafo de Kill Bill), para criar cenas de ação com cabos e proezas sobre-humanas.
Não deu certo.

 

De premissa ousada (basta ver nosso histórico cinematográfico recente), nada funcionou como deveria: o elenco não consegue dar credibilidade aos personagens; a montagem parece um amontoado de cenas; o herói não empolga, o vilão não apresenta desafio; o roteiro não desperta interesse em nenhum momento. A necessidade de explicar o “corpo fechado” do herói e sua devoção ao candomblé não se encaixa na narrativa. Também não se encaixa o triângulo amoroso entre Besouro, a mocinha Dinorá e seu amigo Quero-Quero. Além de ser um arco totalmente fora do contexto do filme, não há química alguma entre o trio de atores. A pá de cal: as cenas de ação, tão caras e essenciais ao enredo, são raras, enfadonhas e sem empolgação.

E o final, um anticlímax atroz, certifica que boas intenções, audácia e recursos não bastam para realizar um grande filme. Saber como contar a história ainda é essencial.

NOTA: D-