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segunda-feira, 1 de abril de 2013

PEARL JAM - SET LIST LOLLAPALOOZA BRASIL - 31/03/2013



Famoso festival de rock americano - o Lollapalooza - é trazido pela segunda vez à caótica cidade de São Paulo.

A maior banda de rock das últimas duas décadas fechará o evento, para meu deleite e meu infortúnio.

Impossível ir de carro, com a extorsão praticada por flanelinhas e empresas de estacionamento oportunistas, que tiveram a manha de cobrar cem cruzeiros por veículo parqueado. A solução será o precário transporte público, comprovadamente sem a menor vocação para amparar eventos desse porte. Sabia que o retorno seria uma aventura (e foi, com um lapso de três horas entre o fim do show e o banho quente antes de ir para a cama).

Chegando ao local, ainda enfrentaria as grandes filas, os banheiros químicos, o lamaçal vindo não sei de onde. Sim, expirou meu prazo de validade para encarar grandes festivais de rock in loco.

Porém, quando Eddie Vedder entoa a frase inicial de "Elderly Woman Behind the Counter In a Small Town", espano o pó das articulações e a rabugice some instantaneamente. A catarse que se segue em uma apresentação explosiva carregada de clássicos ("Alive", "Jeremy", "Given to Fly", "Even Flow", "Do The Evolution") e canções absurdamente lindas ("Black", "Wishlist", "Daughter", "Better Man", "Yellow Ledbetter") se compara apenas às últimas apresentações da banda na cidade, em 2011. Embora sem os costumeiros "mimos" para os fãs de carteirinha e cometendo erros discretos, típicos de caras que não tocam juntos há seis meses, o que se viu em 2h10 de espetáculo foi uma multidão entoando todas as letras, vibrando com o carisma do frontman e sedentos pela próxima música. Como nas outras três apresentações nas quais estive presente.

Tudo faz sentido quando o Pearl Jam está no palco.

SET LIST

"Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town"
"Why Go"
"Intertellar Overdrive" (Pink Floyd cover)
"Corduroy"
"Comatose"
"Olé"
"Do The Evolution"
"Wishlist"
"Got Some"
"Even Flow"
"Nothingman"
"Insignificance"
"Daughter / w.m.a."
"World Wide Suicide"
"Jeremy"
"Unthought Known"
"State of Love and Trust"
"Rearviewmirror"

Encore
"Given to Fly"
"Not For You"
"Better Man"
"Black"
"I Believe In Miracles" (Ramones cover)
"Go"
"Alive"
"Baba O'Riley" (The Who cover)
"Yellow Ledbetter"




quarta-feira, 28 de março de 2012

MELHORES ROCK SONGS DE TODOS OS TEMPOS SEGUNDO CARAS QUE SÓ OUVEM ROCK



Em um dia de raro ócio, tive a idéia de relacionar vinte sons para elaborar a mixtape perfeita. Sabe aquelas canções indispensáveis e insubstituíveis em seu player? Pois bem, elaborei a tal lista das vinte fudanhas e pedi o mesmo a três amigos com gosto roqueiro. Pronto: tinha um ótimo motivo para postar mais uma lista bacana no blog. Na listagem geral, de 80 músicas, apenas três se repetiram. O resultado está aí embaixo, em ordem cronológica de lançamento. Uma bela coleção de sons para ouvir em random mode. E você, tem suas 20 mais?

01. The Beatles - "Taxman" (Revolver, 1966)
02. The Rolling Stones - "Paint It Black" (Aftermath, 1966)
03. Johnny Rivers - "Secret Agent Man" (And I Know You Wanna Dance, 1966)
04. The Beatles - "Hello Goodbye" (Magical Mystery Tour, 1967)
05. Cream - "Sunshine Of Your Love" (Disraeli Gears, 1967)
06. Jimi Hendrix - "Spanish Castle Magic" (Axis: Bold As Love, 1967)
07. The Velvet Underground - "Heroin" (The Velvet Underground & Nico, 1967)
08. The Beatles - "Revolution" (Hey Jude - Single, 1968)
09. Elvis Presley - "Suspicious Minds" (Suspicious Minds - Single, 1969)
10. Led Zeppelin - "Thank You" (Led Zeppelin II, 1969)
11. The Rolling Stones - "Gimme Shelter" (Let It Bleed, 1969)
12. Black Sabbath - "N. I. B." (Black Sabbath, 1970)
13. Black Sabbath - "The Wizard" (Black Sabbath, 1970)
14. Black Sabbath - "War Pigs" (Paranoid, 1970)
15. Creedence Clearwater Revival - "Who'll Stop The Rain" (Cosmo's Factory, 1970)
16. The Rolling Stones - "Can't You Hear Me Knocking" (Sticky Fingers, 1970)
17. The Stooges - "Down On The Street" (Fun House, 1970)
18. Led Zeppelin - "Rock And Roll" (Led Zeppelin IV, 1971)
19. MC5 - "Sister Anne" (High Time, 1971)
20. T.Rex - "Bang a Gong (Get It On)" (Electric Warrior, 1971)
21. The Who - "Baba O'Riley" (Who's Next, 1971)
22. The Who - "Won't Get Fooled Again" (Who's Next, 1971)
23. Deep Purple - "Highway Star" (Machine Head, 1972)
24. Aerosmith - "Dream On" (Aerosmith, 1973)
25. Aerosmith - "Mama Kin" (Aerosmith, 1973)
26. Bachman-Turner Overdrive - "Takin' Care of Business" (Bachman-Turner Overdrive II, 1973)
27. Pink Floyd - "Time" (Dark Side Of The Moon, 1973)
28. Genesis - "The Carpet Crawlers" (The Lamb Lies Down On Broadway, 1974)
29. Sweet - "Fox On The Run" (Desolation Boulevard, 1974)
30. Aerosmith - "Sweet Emotion" (Toys In The Attic, 1975)
31. AC/DC - "Jailbreak" (Dirty Deeds Done Dirt Cheap, 1976)
32. Led Zeppelin - "Achilles Last Stand" (Presence, 1976)
33. Heart - "Barracuda" (Little Queen, 1977)
34. Queen - "It's Late" (News Of The World, 1977)
35. Judas Priest - "Stained Class" (Stained Class, 1978)
36. Van Halen - "Runnin' With The Devil" (Van Halen, 1978)
37. AC/DC - "Highway To Hell" (Highway To Hell, 1979)
38. ZZ Top - "I'm Bad, I'm Nationwide" (Degüello, 1979)
39. AC/DC - "Rock And Roll Ain't Noise Pollution" (Back In Black, 1980)
40. AC/DC - "Shoot to Thrill" (Back In Black, 1980)
41. Joy Division - "Love Will Tear Us Apart" (Love Will Tear Us Apart EP 7", 1980)
42. Ozzy Osbourne - "Mr. Crowley" (Blizzard Of Ozz, 1980)
43. Joan Jet And The Blackhearts - "I Love Rock N' Roll" (I Love Rock N' Roll, 1981)
44. Journey - "Don't Stop Believin'" (Escape, 1981)
45. The Rolling Stones - "Worried About You" (Tattoo You, 1981)
46. Motörhead - "Iron Fist" (Iron Fist, 1982)
47. Scorpions - "Blackout" (Blackout, 1982)
48. Triumph - "When The Lights Go Down" (Never Surrender, 1982)
49. David Bowie - "Absolute Beginners" (Absolute Beginners: Motion Picture Soundtrack, 1986)
50. Metallica - "Disposable Heroes" (Master Of Puppets, 1986)
51. R.E.M. - "Begin The Begin" (Life's Rich Pageant, 1986)
52. Whitesnake - "Still Of The Night" (Whitesnake, 1987)
53. Bon Jovi - "Bad Medicine" (New Jersey, 1988)
54. Living Colour - "Open Letter (To A Landlord)" (Vivid, 1988)
55. Yngwie Malmsteen - "Rising Force" (Odissey, 1988)
56. Faith No More - "Midlife Crises" (Angel Dust, 1991)
57. Ozzy Osbourne - "No More Tears" (No More Tears, 1991)
58. Pearl Jam - "Alive" (Ten, 1991)
59. Van Halen - "Right Now" (For Unlawful Carnal Knowledge, 1991)
60. Alice In Chains - "Junkhead" (Dirt, 1992)
61. Bon Jovi - "Keep The Faith" (Keep The Faith, 1992)
62. Pearl Jam - "Yellow Ledbetter" (Jeremy - Single, 1992)
63. Stone Temple Pilots - "Plush" (Core, 1992)
64. The Black Crowes - "Remedy" (The Southern Harmony And Music, 1992)
65. The Black Crowes - "Sometimes Salvation" (The Southern Harmony And Music, 1992)
66. New Order - "Regret" (Republic, 1993)
67. Rush - "Animate" (Counterparts, 1993)
68. U2 - "Stay (Faraway, So Close!)" (Zooropa, 1993)
69. Live - "White, Discussion" (Throwing Copper, 1994)
70. Soundgarden - "Spoonman" (Superunknown, 1994)
71. Oasis - "Champagne Supernova" ((What's the Story) Morning Glory, 1995)
72. Angra - "Make Believe" (Holy Land, 1996)
73. Metallica - "Hero Of The Day" (Load, 1996)
74. Faith No More - "Ashes To Ashes" (Album Of The Year, 1997)
75. The Offspring - "Gone Away" (Ixnay On The Hombre, 1997)
76. Foo Fighters - "Live-In Skin" (There Is Nothing Left To Loose, 1999)
77. The Strokes - "The Modern Age" (Is This It, 2001)

Colaboração entre amigos: Julio, Fabiano, Rodney e Anderson


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MOTORADIO - Random Mode 3.000 Songs


The Beatles - "A Hard Day's Night" (A Hard Day's Night, 1964)
Sepultura - "Dialog" (Kairos, 2011)
David Coverdale & Jimmy Page - "Shake My Tree" (Coverdale/Page, 1998)
U2 - "Red Hill Mining Town" (The Joshua Tree, 1987)
Kings Of Leon - "California Waiting" (Youth & Young Manhood, 2003)

Rock é rock.

sábado, 5 de novembro de 2011

PEARL JAM - SET LIST 04/11 - SÃO PAULO


"THE" ROCK CONCERT

Foi ainda melhor que o sensacional show do dia anterior.

"Esse é o maior público da nossa turnê. Que tal fazer um show mais longo para vocês?", disse Eddie Vedder já com a platéia no bolso. Sem arriscar muito no português ("Desculpem falar em inglês, mas meu português é uma merda" foi a única frase inteira que ele disse em nosso idioma), Eddie e seus amigos arregaçaram com um set de 29 músicas, nada menos que 17 não tocadas no show de quinta-feira. Repetiu menos da metade do repertório entre uma apresentação e outra.

Uma conta rápida: se em dois dias os caras tiraram 55 músicas, repetindo apenas 12 do repertório, significa que curti 43 canções diferentes da minha banda preferida, in loco, ao vivo, na bucha, no meio da multidão. Não existe banda melhor para ser fã.

SET LIST:

01. Go
02. Do The Evolution
03. Severed Hand
04. Hail, Hail
05. Got Some
06. Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town
07. Given To Fly
08. Gonna See My Friend
09. Wishlist
10. Amongst The Waves
11. Setting Forth
12. Not For You / Modern Girl
13. Even Flow
14. Unthought Known
15. The Fixer
16. Once
17. Black
BIS 1
18. Just Breath
19. Inside Job
20. State Of Love And Trust
21. Olé
22. Why Go
23. Jeremy
BIS 2
24. Last Kiss
25. Better Man / I Wanna Be Your Boyfriend
26. Spin The Black Circle
27. Alive
28. Baba O'Riley (The Who cover)
29. Yellow Ledbetter

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PEARL JAM - SET LIST 03/11 - SÃO PAULO



O MELHOR DO MELHOR

O melhor show do Pearl Jam que um fã já viu será sempre o próximo.

Tempo de concerto batendo em 2h10. A entrega dos caras e o vocal do Eddie destruindo o local. O set list imprevisível, fechado com a banda já no local do show, criando uma expetativa do caralho a cada canção executada.

Nesta quinta-feira, 03/11, o primeiro concerto em solo brasileiro para comemorar os 20 anos da banda, o set list foi perfeito. Foi o melhor show deles que eu já vi na vida. E estou ciente que verei um melhor ainda na sexta-feira.

SET LIST:

01. Release
02. Corduroy
03. Why Go
04. Animal
05. World Wide Suicide
06. Got Some
07. Even Flow
08. Unthought Known
09. Whipping
10. Daughter / w.m.a.
11. Olé
12. Down
13. Save You
14. The Fixer
15. Do the Evolution
16. Porch
BIS 1
17. Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town
18. Just Breathe
19. Come Back
20. I Believe In Miracles (Ramones cover)
21. Alive
BIS 2
22. Comatose
23. Black
24. Better Man
25. Rearviewmirror
26. Rockin' In The Free World (Neil Young cover)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PEARL JAM TWENTY, de Cameron Crowe


"Essa será A BANDA dos anos 90", diz um alucinado Andrew Wood em espantosa cena inicial do documentário celebrativo Pearl Jam Twenty. Ele estava profeticamente certo, só não imaginava que sua própria morte seria o início de tudo.

Impossível racionalizar o bem estar que coisas abstratas do seu mundo são capazes de proporcionar. Coisas aparentemente simples, como estar de bem com sua família; se divertir com seus melhores amigos; curtir o som da sua banda preferida. Sua banda.

Quando sentei no lugar numerado na sala (sim, cinema com lugar marcado NO BRASIL), fiquei a observar a entrada dos sujeitos que pagaram para assistir o documentário de uma popular banda  americana que completa vinte anos de atividade. Tais sujeitos não pareciam ter vinte anos vida. Mas estavam lá, vários trajando camisas de flanela e usando rabo de cavalo. No cinema.

Eu acompanhei um bom naco da vida desta entidade em tempo real. Mesmo alheio ao seu íntimo, seu processo de criação e suas motivações, conseguiu me conectar com aquelas palavras cantadas em outra língua por um vocalista visceral e fraseados de guitarra hard-classic-dirty. O Pearl Jam é a minha banda.

E nasceu das cinzas do Mother Love Bone, banda de Andy Wood. Mostrado em cenas raras, Wood era um futuro rock star que morreu como tal antes de sê-lo. Seu baixista e seu guitarrista - Jeff Ament e Stone Gossard - seguiram em frente e fundaram um embrião de banda com um surfista de San Diego que enviou uma fita pelo correio. Por que as histórias de sucesso avassalador sempre nascem de forma romântica, alimentando crenças absurdas sobre destino e teorias imponderáveis?

Mesmo acompanhando o PJ em tempo real ao longo dos anos e conhecer boa parte das histórias e lendas nas quais o filme é baseado, é impossível não se emocionar com a compilação de imagens e depoimentos selecionados de alegadas 3 mil horas de material. A cronologia é organizada pela canção que acompanha a cena. Versões envelhecidas e grisalhas dos relutantes heróis contrapondo cabeludas faces joviais. Personagens importantes ganham voz. Kurt Cobain apresenta uma dinâmica no filme que arrefece a lendária rivalidade entre PJ e Nirvana de forma desconcertante. Chris Cornell, sempre de postura fria e distante, aparece mais de uma vez com olhos marejados em seus depoimentos.

Eddie Vedder, 46 de vida, mantém a timidez e os trejeitos do início da carreira. Seja em imagens atuais ou de arquivo, Eddie se mostra sempre introspectivo e desconfortável fora dos palcos. Também não aparenta resquício daquela energia incontrolável que o fazia pular sobre as costas dos seus parceiros ou escalar estruturas de palco durante os shows, comprovando que quando seus demônios internos não te matam, envelhecem com você. Eddie parece estar sempre se perguntando “por quê?”; nunca entendeu o status alcançado por ele e seus amigos de longa data, mas aprendeu muito bem como canalizar tal poder: fazer continuamente o que gosta e drenar uma garrafa de vinho por concerto. Quando aparece falando e mostrando fotos antigas, dá a clara impressão de ser alguém que poderia ser meu vizinho ou um colega de classe, mesmo nos dias de hoje. Provavelmente o convidarei para tomar uma comigo e meus amigos quando a turnê chegar a São Paulo.

Cameron Crowe, cineasta e jornalista talentoso, conhecedor de rock e fã da banda desde o início, foi o responsável por selecionar os momentos que entrariam na película. É considerado um amigo pelos caras, portanto, é meu amigo também. Tomou decisões discutíveis, como excluir o excelente álbum No Code do documentário, colocando apenas uma fala de Eddie justificando que o disco era o mais impessoal dos quatro gravados até então. Não alardeou que o Pearl Jam é a banda mais influente do seu tempo, mais que o incensado Nirvana, mais do que os astros do britpop. Decidiu sabiamente deixar a condução da narrativa a cargo da dupla que começou tudo, Ament e Gossard. Recheou o filme com canções memoráveis em versões inéditas e com aparições importantes (Neil Young, por exemplo). E destacou as idiossincrasias da banda, como a imprevisibilidade dos seus set lists.

Crowe capturou a essência do que é aquilo tudo. Uma banda que nasceu de um momento trágico e sobreviveu às falhas inerentes ao ser humano, inspirou milhões a curtir seu som com membros desprovidos de vocação para rock stars.  Celebrou com gosto os vinte anos da única banda do chamado "movimento grunge" que sobreviveu ao rifle de Kurt Cobain.

O filme conclui o que eu e milhões de seguidores desta entidade já sabíamos: não há grande segredo por trás do sucesso do Pearl Jam. É emoção pura. Coisas abstratas do mundo deles os mantiveram juntos, fazendo boa música com integridade, por muito tempo. São as coisas simples e irracionais, aquelas coisas que proporcionam bem estar.

É sua família. Seus amigos. Sua banda.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MOTORADIO - Random Mode


Tocou hoje no modo randômico do meu player:

Lou Reed - "Perfect Day" (Transformer, 1972)
Steppenwolf - "The Pusher" (Steppenwolf, 1968)
System of a Down - "Spiders" (System of a Down, 1998)
The Clash - "London Calling" (London Calling, 1979)
U2 - "Bullet The Blue Sky" (The Joshua Tree, 1987)
The Stooges - "I Wanna Be Your Dog" (The Stooges, 1969)
Creed - "Overcome" (Full Circle, 2009)

Rock é Rock.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O rock está morto? Vida longa ao Rei!

"Antes de Elvis, não existia nada".

A frase atribuída a um dos mais arrogantes rock stars de todos os tempos - John Lennon - simboliza hoje, 57 anos após ter gravado seu primeiro single, uma verdade indubitável: Elvis Presley é o Rei do Rock. Não foi o criador do estilo - aliás, o cara era um intérprete genial que passeava entre gêneros com competência única - mas sem dúvida foi Elvis quem colocou o rock no mapa da popularidade e da histeria adolescente. Foi também o disseminador da "atitude rock and roll" ao expor sua rebeldia sem causa; chocava a américa conservadora com danças provocativas, empunhava sua guitarra com fúria jovem, teve a existência auto-destrutiva típica de um rock star e fez escola ao morrer dos excessos da fama. Foi o primeiro da espécie a ter projeção maciça na mídia e era um artista sem paralelo. Merece reconhecimento e respeito enquanto a entidade "música" existir. E digo mais: toda banda que se propõe a fazer rock deveria pagar tributo e tirar um som do Rei em seus shows.

Qualquer coisa que se fale sobre o ícone Elvis é amplamente conhecida, portanto, vou parando por aqui. O título do blog não me dá o direito de ser redundante. Mas me obriga a listar minhas canções preferidas da prolífica Carreira Real:
  1. "Guitar Man" (Clambake, 1967)
  2. "A Little Less Conversation" (Almost In Love, 1970)
  3. "Power Of My Love" (From Elvis In Memphis, 1969)
  4. "Rubberneckin'" (Almost In Love, 1970)
  5. "If I Can Dream" (Elvis NBC - TV Special, 1968)
  6. "Burning Love" (Burning Love and Hits From His Movies Vol. 2, 1972)
  7. "Suspicious Minds" (From Memphis to Vegas/From Vegas to Memphis, 1969)
  8. "Spinout" (Spinout, 1966)
  9. "Sylvia" (Elvis Now, 1972)
  10. "Little Sister" (Elvis Golden Records Vol. 3, 1963)
  11. "Heartbreak Hotel" (Elvis Golden Records Vol. 1, 1958)
  12. "Clean Up Your Own Back Yard" (Almost In Love, 1970)
  13. "Stuck On You" (Elvis Golden Records Vol. 3, 1963)
  14. "Are You Lonesome Tonight?" (Elvis By Request - Flaming Star, 1961)
  15. "Way Down" (Moody Blue, 1977)
  16. "That's All Right" (For LP Fans Only, 1959)
  17. "Blue Suede Shoes" (Elvis Presley, 1956)
  18. "Memories" (Elvis NBC - TV Special, 1968)
  19. "Jailhouse Rock" (Elvis Golden Records Vol. 1, 1958)
  20. "Tutti Frutti" (Elvis Presley, 1956)
  21. "A Fool Such As I" (Elvis Golden Records Vol. 2, 1959)
  22. "In The Gheto" (From Elvis In Memphis, 1969)
  23. "Lawdy Miss Clawdy" (For LP Fans Only, 1959)
  24. "Sweet Caroline" (On Stage, 1970)
  25. "Can't Help Falling In Love" (Blue Hawaii, 1961)

Vida longa e próspera, Majestade.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MOTORADIO: The Strokes - Angles (2011)

O rock precisa de salvação?

Algumas pessoas acham que sim.

Uma puta que já pariu Berry, Presley, Hendrix, Zappa, Fogerty, Angus, Clapton, King, Bowie, Mercury e até os gêmeos Page & Plant, Lennon & McCartney, Jagger & Richards precisa ser salva por quem?

Se o mundo fosse dominado por fanáticos religiosos em 1979 e o rock banido para sempre da vida terrestre, a quantidade e qualidade do que fora produzido até então supriria qualquer necessidade satânica enquanto existisse energia elétrica. Duvida? Olha de novo os nomes em negrito.

Então, porque os coitados dos meninos dos Strokes precisam salvar a porra do rock o tempo todo???

Não precisam e não o pretendem, como atesta esse Angles, tão bom e tão característico como qualquer álbum anterior dos Strokes.

Se alguém me disser que "Under Cover Of Darkness" não caberia entre as 11 faixas do Is This It, tal qual um Eddie Murphy antigas eu perguntarei: whyyyyy? Dançante-não-vulgar, é rock com vocal emotivo e sem filtro, uma das músicas que mais tenho ouvido ultimamente. A melhor. E se a banda teve coragem de colocar a melhor do disco em segundo na ordem de trilhas, é porque existe mais coisa boa na sequência. "Two Kinds Of Happiness" segue a pegada "início dos 80's", com um Julian Casablancas caprichando na emoção vocal. A propósito, taí algo legal no disco: Casablancas parecia inseguro nos dois plays iniciais e não registrou nenhum vocal sem filtro. Até hoje não é dado à variações vocais, mas desde o sensacional First Impressions Of Earth, limitou os truques de estúdio e consegue usar o natural com criatividade. Ok, às vezes ainda usa um filtro, um efeito inofensivo, ou simplesmente acompanha o riff, como na eletro-rock bacanuda "Taken For A Fool". Em "Gratisfaction", a batera do Fabrizio Moretti ajuda no refrão Beatle. Batera não-virtuose bacana esse Moretti...  Fecha o play a bela "Life Is Simple In The Moonlight". Yep.

A cerveja só esquenta quando os messias do rock querem fugir do be-a-bá com eletronices excessivas ("Games"), ensaiam reggae de playboy ("Machu Picchu") e mandam uma bossa nova sem vergonha ("Call Me Back"). Eles devem ter escrito essa para ficar bem claro que nunca salvarão a bossa nova.

NOTA: B 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MOTORADIO: Foo Fighters - Wasting Light (2011)

O Foo Fighters é uma banda cheia de méritos.

MÉRITO UM: Expor a hipocrisia de grande parte da crítica roqueira.
Sim, porque os profissionais da caneta rocker juram amores ao Foo Fighters desde o primeiro e homônimo play, e o que mais se vê na crítica especializada é caras reclamando que tal banda "se repetiu" ou que "a fórmula desgastou" e coisas do tipo. Também descem a enxada em bandas de grande apelo pop, como se vender bem e ter um alcance maior que a lotação máxima de um boteco significasse baixa qualidade. 

Pois bem, o Foo Fighters é tão pop, mas tão pop, que até o Zeca Camargo gosta. E é uma banda que grava o mesmíssimo disco desde o ótimo The Colour And The Shape (1997), aprimorando a fórmula riff bacana + melodia marcante + refrão grudento. E aí está o segredo do sucesso, sem apedrejamento gratuito da crítica e com maciço apelo público. Para ilustrar essa parcialidade dos críticos, tomemos como exemplo o Pearl Jam e Metallica: os caras gravam grandes discos sem se repetir, mas são espinafrados exatamente por causa disso; são pressionados a criar um novo Ten ou Master Of Puppets, algo que não vai acontecer.

E vamos admitir: embora sejam discos bacanas, In Your Honor (2005) e Echoes, Silence, Patience and Grace (2007) estão situados na entressafra criativa da banda após o grande One By One (2002).

MÉRITO DOIS: Nunca se parecer com o Nirvana
Com o Foo Fighters, Dave Grohl deixou bem claro que o Nirvana era a banda do Kurt. Se Cobain estivesse vivo, lamentaria não ter dado mais espaço criativo àquele batera novo.

MÉRITO TRÊS (o mais importante): Ser uma grande banda e gravar discos incríveis
Apesar da condescendência da crítica em momentos menores, o Foo Fighters é sensacional. Uma puta banda, coesa, segura, liderada por um dos melhores front man da atualidade. Já lançou sete discos de inéditas, todos ótimos (embora ache os dois citados acima um tanto mais fracos) e ainda tem "o cabra" Dave Grohl.

O que finalmente me leva a Wasting Light: nº 1 da Billboard, diz-se que foi gravado na garagem de Grohl. Trata-se do disco mais "rock-grudento-trabalhado" desde There Is Nothing Left To Lose (1999), a pérola pop da banda, e tem qualidade musical comparável ao excelente One By One. Com uma guitarra a mais (Pat Smear foi "efetivado") Grohl e seus caboclos criam uma verdadeira parede sonora. Como There Is Nothing..., Wasting Light também prende do início ao fim com belas canções e refrões marcantes (eu não disse "fáceis"), riffs peguentos e rockões para dirigir batendo os dedos no volante. "Rope" já é uma das canções do ano: inicia com um efeito de guitarra e culmina em um riff do tipo "como ninguém nunca gravou isso antes?", tamanha beleza e identificação imediata. Com um  backing vocal esperto do Taylor Hawkins, tem um refrão inspirado. A letra parece simples mas também é esperta, pois insinua o sentimento de "esperança" aproveitando a semelhança gráfica entre as palavras "rope" e "hope". Uma das melhores músicas do Foo Fighters. "White Limo", rápida e gritada como se Grohl estivesse despencando de um penhasco, sugere uma homenagem ao ídolo Lemmy e seu Motorhead. Enquanto "Arlandria" briga com "These Days" pelo título de refrão mais grudento do disco, "Back & Forth" e "A Matter Of Time" garantem a pegada sem perder a melodia. "I Should Have Known" é a balada não-baba que todo bom disco de rock deveria ter; se liga no baixo desse som e na emoção do Dave ao cantar sobre perda e rancor. Belíssimo... "Walk" fecha o disco com mais uma melodia linda e uma letra que fala sobre o peso de recomeçar sempre - e da necessidade de não fazê-lo sozinho.

Wasting Light é sensacional, um disco para ouvir inteiro e com prazer; é um trampo feito com cuidado, é rock de verdade com um inegável acento pop, uma saudável mistura de influências que coloca Beatles, Led Zeppelin, Motorhead e o "grunge" (o pó de onde veio Dave Grohl) a serviço da boa música e do rock 'n' roll. Isso é o Foo Fighters e seu consagrado estilo, em um dos momentos mais inspirados da sua carreira.

NOTA: A


sábado, 29 de janeiro de 2011

METAL NO NOZOIE!


Julinho, Laís, Xisto, eu e Rodney

Paulo Xisto! Mineiro de BH (o que faz dele um apreciador de boa cachaça), torcedor do Atlético e baixista de uma das maiores bandas de metal do mundo - Sepultura! - o cara é humilde e muito gente boa. No Bar do Luiz Nozoie - sensacional! -, Xisto e seus camaradas do FURABREJAS (http://furabrejas.blogspot.com/) bateram um papo bacana comigo e meus amigos.

O Sepultura está em São Paulo gravando o disco novo. As sessões estão sendo transmitidas pela TV Trama via Youtube. Entre uma estilingada e outra no seu instrumento, Xisto sai com os amigos para comer um petisco. O Bar do Nozoie é um dos pontos escolhidos para essas reuniões. Eventualmente, tem cerveja gelada na mesa...

Nesta sexta-feira, acabou esbarrando com uns fãs da banda munidos de celulares fotográficos (como se existisse outro tipo)...

Se os demônios do rock me dessem a incumbência de escolher 19 músicas do Sepultura, seriam essas:

"As It Is" (Roorback, 2003)
"Born Stubborn" (Roots, 1996)
"Boycott" - (Against, 1998)
"Dead Embryonic Cells" (Arise, 1991)
"Desperate Cry" (Arise, 1991)
"Fighting On" (Dante XXI, 2006)
"Inner Self" (Beneath The Remains, 1989)
"Mind War" (Roorback, 2003)
"Nomad" (Chaos A.D., 1993)
"One Man Army" (Nation, 2001)
"Ostia" (Dante XXI, 2006)
"Refuse/Resist" (Chaos A.D., 1993)
"Roots Bloody Roots" (Roots, 1996)
"Sadistic Values" (A-Lex, 2009)
"Sepulnation" (Nation, 2001)
"Straighthate" (Roots, 1996)
"Territory" (Chaos A.D., 1993)
"We Who Are Not As Others" (Chaos A.D., 1993)
"Who Must Die?" (Nation, 2001)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

I Wanna Lay You Down In A Bed Of Roses...

O maior estádio da cidade estava lotado. Não imagino quantas mil pessoas. Quarenta? Cinquenta? Só posso arriscar que 80% do quorum era feminino.

O cara no palco, o maniac de jaqueta fechada, era a justificativa das garotas.

Quando conseguimos vencer seis lances de arquibancada para nos acomodar entre moças ensandecidas, a banda ainda esquentava a platéia com o hit "In These Arms", do grande Keep The Faith (1992). Jon Bon Jovi rebolava para manter sua pose sex symbol, vertendo gotas em calçolas ávidas por um desses, já que o rock'n'roll moderno não mais comporta frontman galã.

"Captain Crash", do Crush (2000), baixou a pelota, mas foi o tempo suficiente para nos estabelecer como platéia no estádio pulsante. Ao chegar atrasados no local, perdemos pelo menos dois clássicos: "You Give Love a Bad Name" e, putz, "Born To Be My Baby". Minha garota, que estava comigo, gosta desta última.

O show estava morno, Jon sorrindo. Um Richie Sambora inchado (mardita cana!) trocava freneticamente de guitarra a cada música executada. "When We Were Beautiful" do novo The Circle, tratou de manter tudo low profile.

Eis que Jon anuncia o retorno a 1984 e David Bryan inicia a tecladeira de "Runaway". Até eu resolvi cantar. Nem a nova "We Got It Going On" atrapalhou, pois logo os caras grudaram "It's My Life" e sequer foi possível ouvir Jon cantar o refrão, tamanha a voracidade com que o público devorou a letra. Com a pelota cruzada na área, "Bad Medicine" cuidou para que ela fosse para o fundo da rede. Minha garota concordava com as exclamações da garotada sobre a aparência física do frontman. O carisma do sujeito é inegável. E canta pra caralho ao vivo. Mas ouvir "liiiiiindoooooooo" em intervalos de 12 segundos fugia das minhas expectativas para o concerto.

No entanto, o que estava dentro das minhas expectativas também se concretizava. Depois de meter "Oh, Pretty Woman" e "Shout" no meio de "Bad Medicine" (que, acredite, ficou massa), Jon deixa Richie Sambora dominar o palco para cantar outro clássico do New Jersey, "Lay Your Hands On Me". Richie, guitar hero old school, também canta pra diabo. A turba se manteve cantando junto, e minha garganta já apresentava um gosto de lixa usada.

Então, Jon Bon Jovi retorna ao palco, para delírio das calcinhas em brasa. Tico Torres, batera caboclo, soca o kit na introdução de "Always" ("and I will love you, baby, always"), que Jon executa com figurino diferente do início do show. Ao fim da romântica (e bela) balada, com exibições de closes do vocalista nos telões, já me preocupava com a possibilidade do chão estar escorregadio.

Atendendo um pedido da minha garota, Jon anuncia "Blaze Of Glory", música do seu primeiro disco solo que serviu de trilha sonora para o simpático filme Jovens Demais Para Morrer (que fim levou Emilio Estevez?). Muito bom, solos sensacionais do guitar hero, "I'll Be There For You" começa. Balada master, dançada em bailinhos no fim dos '80. O agudo do vocal seria testado. Teste positivo.

A essa altura, eu só conseguia balbuciar as letras. Mas fiz questão de acompanhar o refrão grudento de "Have A Nice Day" daquele disco com uma "carinha feliz" na capa. "I'll Sleep When I'm Dead" manteve o rock'n'roll como prato principal, mesmo com a insistência da menininha à minha direita, com óculos de lentes quadradas, em gritar "lindo demaaaaaais"!

Com a platéia devidamente aquecida, um Jon Bon Jovi performático descasca a boa "Work for the Working Man", do disco novo, e junta "Who Says You Can't Go Home" do Have a Nice Day (já disse, o disco da "carinha feliz" na capa).

A sensacional "Keep The Faith" encerrou os trabalhos, e os seis caras desceram do palco para fazer xixi e cocô. Menos Jon, que deixou para obrar depois, já que era importante voltar para o bis de roupa nova.

Contrariando uma previsão macabra que fiz mais cedo, a banda mandou "These Days", do álbum homônimo de 1995 (o melhor disco da banda, me perdoem os admiradores do Slippery When Wet). Falando no álbum "escorregadio quando molhado" (sem alusão às fãs de Jon), os dois cabras à frente do palco iniciam os acordes de "Wanted Dead Or Alive". Foda-se minha goela.

"Someday I'll Be Saturday Night" e o clássico master, um dos estandartes do rock, a lendária "Livin' on a Prayer" dava números finais à saga bonjovística em solo paulistano.

Hã? Não?!

Vero, após poucos minutos de penumbra e os caras amontoados no palco a confabular, Jon se dirige novamente ao microfone, tudo se acende, e Richie inicia o solo de "Bed Of Roses". Era o que faltava para as tangas serem torcidas no caminho para casa.

Neste momento, eu estava sendo abraçado pela minha garota e meus amigos. O sino deu doze badaladas e eu comemorei, em tempo real, meu 34º aniversário, ouvindo um dos maiores frontman do rock sentenciar "I wanna lay you down in a bed of roses / For tonight I sleep on a bed of nails / I wanna be just as close as the holy ghost is / And lay you down on a bed of roses". Um "parabéns pra vc" meio macabro.

Thank you, Vivi. Thank you friends. Thank you Jon and Richie.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

MOTORADIO SET LIST: TOP 11 - TERÇA-FEIRA

Volta às aulas. Em São Paulo, isso tem um significado: trânsito infernal. Ainda bem que o modo randômico do meu player também estava infernal...

01 - "Use Somebody" - Kings Of Leon (Only By The Night, 2008) - Rock puro, feito por roqueiros esquisitos. Mesmo com essas credenciais, é uma canção linda e... pop.

02 - "Nutshell" - Alice In Chains (Jar Of Flies, 1993) - O vocal inigualável do finado Layne Staley em um duelo de foice com o violão macabro de Jerry Cantrell.

03 - "Battle For The Sun" - Placebo (Battle For The Sun, 2009) - O Placebo não tem disco ruim. Essa canção é a melhor de um dos melhores plays de 2009.

04 - "Maver" - Stone Temple Pilots (Stone Temple Pilots, 2010) - O rock dos anos 90 - digo de novo, é meu preferido - está muito vivo. E os Pilots colocaram essa bela canção em seu disco de retorno.

05 - "Working Class Hero" - John Lennon (John Lennon/Plastic Ono Band, 1970) - Vocal, violão, melodia quase pedestre e uma letra contundente. O beatle mais genial precisava de mais em sua estréia solo?

06 - "I Believe" - Bon Jovi (Keep The Faith, 1992) - Eu gosto de Bon Jovi, ué! Esse som abre o excelente Keep The Faith com um hard rock de andamento diferente (para os padrões da banda) e um vocal variado (para os padrões do Jon).

07 - "It's Late" - Queen (News Of The World, 1977) - O riff de Brian May já faria da canção algo sensacional. Mas ainda coube uma melodia linda e o vocal sobrenatural de Freddie Mercury. Virou lenda.

08 - "Black Dog - live '72" - Led Zeppelin (How the West Was Won, 2003) - Clássico clichê, eu sei. Mas vc já ouviu essa versão ao vivo, gravada nos anos 70 em Los Angeles?

09 - "Shadow Of The Sea" - Screaming Trees (Ocean Of Confusion, 2005) - A guitarra grunge a serviço do vocal soturno e enfumaçado de Mark Lannegan!

10 - "Supernova" - Skank (Cosmotron, 2003) - Esse disco foi uma puta guinada musical na carreira dessa bandinha prioritariamente pop. O disco é muito bom, nem de longe lembra o Skank de Garota Nacional. Escuta a batera beatle desse som! Se o play fosse de alguma banda inglesa qualquer, viraria o hype da época.

11 - "Rain" - Creed (Full Circle, 2010) - Simplesmente não canso de ouvir essa música. "I feel it's gonna rain like this for days..."

quarta-feira, 21 de julho de 2010

MOTORADIO: RACIONAIS MCs - "Fim de Semana no Parque"


1993. O grunge de Seattle era o rock da época. No Brasil, pagodeiros dançantes enriqueciam depois de colocar suas caras e rabos rebolantes nos palcos do Gugu ou Faustão. Enquanto isso, um quarteto da periferia paulistana lançava um LP de rap que entraria para a história da música brasileira. Música?

Raio X Brasil seria mais uma tentativa dos Racionais de mostrar suas rimas para o maior número possível de pobres Brasil afora. Objetivo modesto. Porém, o petardo "Fim de Semana no Parque" ultrapassou a fronteira traçada por Mano Brown e chegou à classe média, após execuções maciças em "rádios pop", como Jovem Pan e Transamérica. O rap transbordava das rádios especializadas e invadia o território de Madonnas e Poisons. Nunca antes algo assim ocorrera com uma vertente musical periférica - ou "popular".

"No último natal Papai Noel escondeu um brinquedo
Prateado
Brilhava no meio do mato
Um menininho de dez anos achou o presente
Era de ferro
Com doze balas no pente"

Com esse nível de realidade nos versos, a batida seca cortada pelo baixo incessante e um vocal raivoso, Brown viu nascer seu primeiro sucesso e o reconhecimento de público e crítica. Suas atitudes desde então demonstravam que ele não perseguia aquilo. Queria mostrar sua música, viver dela. Mas não iria no Faustão. Quatro anos depois, os Racionais lançaram o lendário Sobrevivendo no Inferno, disco referência do hip hop nacional, frequentador assíduo de qualquer lista dos melhores discos brasileiros de todos os tempos. Vendeu 500 mil cópias originais e um sem número de CDs piratas (estima-se pela casa do milhão). Muito rapper de talento pôde se mostrar na cola de Sobrevivendo, que por sua vez, não existiria desmarginalizado sem "Fim de Semana no Parque". A parir dela, o rap brasileiro se afastou de vez do gangasta americano e elevou o status do rapper, finalmente reconhecido como artista.

Música? Sim, de qualidade artistica inquestionável.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MOTORADIO: BUSH - "Glycerine"

Era início da década de 90 e o grunge mantinha o rock vivo. Na estrada desde 1992, a banda inglesa Bush só conseguiu lançar seu primeiro play, Sixteen Stone, em 1994, depois de bater, sem sucesso, à porta de várias majors e encontrar abrigo na Atlantic Records. Como a maioria das bandas surgidas após o estouro do grunge, os caras claramente seguiam os passos do Pearl Jam nas composições, até o vocal de Gavin Rossdale tinha momentos de Eddie Vedder. Isso gerou antipatia entre os e críticos, que foram quase unânimes na rejeição a Sixteen Stone e aos demais trabalhos do Bush. Porém, o público e a MTV, enebriados pelo rock de Seattle, aceitaram bem as guitarras distorcidas dos londrinos e o álbum alcançou grande sucesso nos EUA.

Longe de ser original, Sixteen Stone é um bom disco. Pesado, bem tocado e com produção tipicamente suja, o sucesso do álbum revelou coisas bacanas como "Machinehead", "Little Things" e "Comedown", mas o som que fica no ouvido é o de "Glycerine". Totalmente diferente das outras músicas do disco, "Glycerine" foi gravada tendo como base somente uma guitarra distorcida que emulava a batida de um violão, sem a inclusão de baixo e bateria. O pedal regulado do início ao fim na mesma distorção, sem a cozinha, o vocal rouco de Rossdale e um belo arranjo de cordas que faz toda a diferença no resultado final. Bela canção. Era o sopro de originalidade do disco, que ficou óbvia de tanta execução em rádios e MTV. Rossdale tentou copiar a fórmula nos álbuns seguintes, sem a mesma felicidade.

terça-feira, 8 de junho de 2010

MOTORADIO - Soundgarden's "Beyond The Wheel", April 16, 2010 - Showbox Market Seattle, WA

Isso mesmo, 2010. Se duvida, olha as barbas brancas de Kim Thayil.

E não vou ficar com lenga-lenga de "porra, voltou finalmente!", "os caras são foda", "caça-níquel" e blá, blá, blá. Quem, como eu, se alimenta até hoje do rock de Seattle, sabe do tesão que é ver esses caras juntos de novo, fazendo shows e, putz, tocando "Beyond The Wheels" com requintes de crueldade. Foda-se se o aluguel ficou caro e Chris Cornell precisou capitalizar (é até piada dizer que o frontman do Soundgarden e Audioslave, autor de "Black Hole Sun", precisa de dinheiro), ou se sua parceria com o Timbaland o desacreditou perante a família (eu ouvi o tenebroso album Scream); o importante de verdade é ver o cara testando ao limite suas abençoadas (ou amaldiçoadas?) cordas vocais. E Cornell as utiliza com estupidez... Nesta versão ao vivo de "Beyond", o maluco vai do grave soturno ao agudo extremo em nano-segundos, sem fazer cocô no palco. E a melodia macabra, distorcida com extrema competência pela elétrica de Thayil nunca fora antes melhor executada. Matt Cameron... Ah, Matt, mothafucka, por que vc não toca deste jeito no Pearl Jam??? Se a qualidade do couro de gato do Soundgarden é melhor, leva caixas e bumbos pra garagem do Eddie!!!


Sensacional. Eu vi o show do Chris Cornell no Credicard Hall em 2007, e o cara se esgoelou por quase duas horas e meia. Bem afortunadas as localidades que receberem a visita do Soundgarden, versão retorno.

Aí está o link do vídeo.

domingo, 16 de maio de 2010

CLICHÊ TOP 16: U2



Bono Vox acaba de completar 50 anos. Boa oportunidade para apresentar minhas preferidas da sua banda de apoio, o U2.

01 - "Stay (Faraway, So Close!)" (Zooropa, 1993)
02 - "In God's Country" (The Joshua Tree, 1987)
03 - "One" (Achtung Baby, 1991)
04 - "Wild Honey" (All That You Can't Leave Behind, 2000)
05 - "Original Of The Species" (How To Dismantle An Atomic Bomb, 2004)
06 - "Red Hill Mining Town" (The Joshua Tree, 1987)
07 - "With Or Without You" (The Joshua Tree, 1987)
08 - "Bad" (The Unforgattable Fire, 1984)
09 - "Walk On" (All That You Can't Leave Behind, 2000)
10 - "The Fly" (Achtung Baby, 1991)
11 - "Vertigo" (How To Dismantle An Atomic Bomb, 2004)
12 - "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" (No Line On The Horizon, 2009)
13 - "New Year's Day" (War, 1983)
14 - "Who's Gonna Ride Your Wild Horses" (Achtung Baby, 1991)
15 - "The Electric Co." (Boy, 1980)
16 - "Bullet The Blue Sky" (The Joshua Tree, 1987)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Feliz Ano Novo!

Algumas constatações deste pós-carnaval. Eu disse "constatações", e não "descobertas". Exceto para arqueólogos ou caça-talentos, não é muito saudável fazer "descobertas" quando se tem 33 anos. Sobretudo no período do carnaval, quando Deus tira uns dias de folga na Noruega e deixa o Brasil sob os cuidados do demônio.

1) O novo disco do Wolfmother é do caralho;
2) O filme Se Beber, Não Case deve ser visto por todas as pessoas que estão pensando em visitar Las Vegas. E também por pessoas que gostam de 2 horas de entretenimento sem compromisso. Ei, não estou falando do banheiro do baile de carnaval!!!;
3) A banda Kings Of Leon é foda;
4) My Name Is Earl é o melhor sitcom americano de todos os tempos (sim, é melhor que Friends);
5) Nega Fulô também é gostosa quando não está gelada. E vende em restaurante japonês!;
6) Temaki é uma comida nojenta;
7) Shoyu mancha roupas brancas;
8) A monogamia presencial me poupou de ter dezenas de chances de contrair alguma doença terminal nesse período demoníaco. Devemos sempre ver o lado bom das coisas;
9) Mickey Rourke ainda é um bom ator;
10) Alguém nunca ouviu Arctic Monkeys? Do it!
11) These Days é o melhor disco do Bon Jovi;
12) Definitivamente, EU ODEIO as concessionárias VW;
13) O filme Distrito 9 é sensacional;
14) Utilizar o transporte público deixa meu humor mais ácido que a saliva do Alien.

Ok, confesso 1: não saí do raio de 2km da minha casa neste feriadão.
Ok, confesso 2: sou um nerd mothafucka.