sábado, 5 de novembro de 2011

PEARL JAM - SET LIST 04/11 - SÃO PAULO


"THE" ROCK CONCERT

Foi ainda melhor que o sensacional show do dia anterior.

"Esse é o maior público da nossa turnê. Que tal fazer um show mais longo para vocês?", disse Eddie Vedder já com a platéia no bolso. Sem arriscar muito no português ("Desculpem falar em inglês, mas meu português é uma merda" foi a única frase inteira que ele disse em nosso idioma), Eddie e seus amigos arregaçaram com um set de 29 músicas, nada menos que 17 não tocadas no show de quinta-feira. Repetiu menos da metade do repertório entre uma apresentação e outra.

Uma conta rápida: se em dois dias os caras tiraram 55 músicas, repetindo apenas 12 do repertório, significa que curti 43 canções diferentes da minha banda preferida, in loco, ao vivo, na bucha, no meio da multidão. Não existe banda melhor para ser fã.

SET LIST:

01. Go
02. Do The Evolution
03. Severed Hand
04. Hail, Hail
05. Got Some
06. Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town
07. Given To Fly
08. Gonna See My Friend
09. Wishlist
10. Amongst The Waves
11. Setting Forth
12. Not For You / Modern Girl
13. Even Flow
14. Unthought Known
15. The Fixer
16. Once
17. Black
BIS 1
18. Just Breath
19. Inside Job
20. State Of Love And Trust
21. Olé
22. Why Go
23. Jeremy
BIS 2
24. Last Kiss
25. Better Man / I Wanna Be Your Boyfriend
26. Spin The Black Circle
27. Alive
28. Baba O'Riley (The Who cover)
29. Yellow Ledbetter

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PEARL JAM - SET LIST 03/11 - SÃO PAULO



O MELHOR DO MELHOR

O melhor show do Pearl Jam que um fã já viu será sempre o próximo.

Tempo de concerto batendo em 2h10. A entrega dos caras e o vocal do Eddie destruindo o local. O set list imprevisível, fechado com a banda já no local do show, criando uma expetativa do caralho a cada canção executada.

Nesta quinta-feira, 03/11, o primeiro concerto em solo brasileiro para comemorar os 20 anos da banda, o set list foi perfeito. Foi o melhor show deles que eu já vi na vida. E estou ciente que verei um melhor ainda na sexta-feira.

SET LIST:

01. Release
02. Corduroy
03. Why Go
04. Animal
05. World Wide Suicide
06. Got Some
07. Even Flow
08. Unthought Known
09. Whipping
10. Daughter / w.m.a.
11. Olé
12. Down
13. Save You
14. The Fixer
15. Do the Evolution
16. Porch
BIS 1
17. Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town
18. Just Breathe
19. Come Back
20. I Believe In Miracles (Ramones cover)
21. Alive
BIS 2
22. Comatose
23. Black
24. Better Man
25. Rearviewmirror
26. Rockin' In The Free World (Neil Young cover)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

TE AMAREI PARA SEMPRE, de Robert Schwentke

"The Time Traveler's Wife" - EUA - 2009 - Ficção Científica/Drama - 107min. Roteiro: Bruce Joel Rubin, baseado no romance homônimo de Audrey Niffenegger. Com Eric Bana, Rachel McAdams, Ron Livingston, Jane McLean, Hailey McCann, Tatum McCann.

Doutor Destino

Embora sejam absurdos e obviamente inverossímeis em seu plot, filmes sobre viagens no tempo são fascinantes. Mesmo os mais fracos, como Déjà Vu, conseguem prender a atenção da audiência com os obrigatórios paradoxos temporais e suas consequências.

Te Amarei para Sempre (vergonha alheia pelo açucarado título brasileiro), surpreende por mostrar um drama familiar tendo o romance como força motriz, sob o mote de viagens temporais, no caso, do personagem Henry DeTamble (Bana), que simplesmente nasceu com uma anomalia genética que o transporta ao passado e futuro sem que ele possa controlar. Em uma dessas viagens, conhece a criança Clare Abshire e passa a encontrá-la através do tempo, criando uma curiosa ligação com a personagem.

Inteligente com o roteiro que lhe foi confiado e com seu público, Robert Schwentke evita dar maiores explicações sobre os "poderes" do protagonista e estabelece uma dinâmica surpreendentemente fluída entre Clare, as manifestações do Henry viajante e os paradoxos temporais - ela se apaixona por um Henry envelhecido vindo do futuro e encontra um Henry jovem no presente, invertendo a situação de acordo com o passar dos anos. Assim, Clare convive com duas versões do mesmo homem. O roteiro é amarrado de forma a explorar muito bem os paradoxos, com as duas versões de Henry desempenhando papéis importantíssimos para o desenrolar da trama.

Eric Bana, sempre um ator duro em suas atuações, consegue equilibrar as versões do seu personagem, passando a angustia de aparecer em algum lugar estranho sem aviso prévio ou a serenidade de alguém que  já conhece doçuras e agruras do próprio futuro. Rachel McAdams, jovem atriz que usa seu olhar com talento desconcertante, compõe Clare da forma mais graciosa que já vi em um personagem seu - ela nunca esteve tão naturalmente linda e delicada como neste filme.

Se o círculo se fecha de forma coerente ao final do longa, a conclusão nos coloca diante de um curioso ponto filosófico: se por um lado Henry não possui controle algum (não sabe quando ou para onde está viajando) e não consegue alterar fatos ocorridos (assiste ao acidente que vitima sua mãe no início do filme diversas vezes), por outro molda suas ações com Clare e o planejamento de sua vida ao lado dela de forma a aproximar ao máximo sua trajetória da lendária entidade que chamam de "destino".


NOTA: 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PEARL JAM TWENTY, de Cameron Crowe


"Essa será A BANDA dos anos 90", diz um alucinado Andrew Wood em espantosa cena inicial do documentário celebrativo Pearl Jam Twenty. Ele estava profeticamente certo, só não imaginava que sua própria morte seria o início de tudo.

Impossível racionalizar o bem estar que coisas abstratas do seu mundo são capazes de proporcionar. Coisas aparentemente simples, como estar de bem com sua família; se divertir com seus melhores amigos; curtir o som da sua banda preferida. Sua banda.

Quando sentei no lugar numerado na sala (sim, cinema com lugar marcado NO BRASIL), fiquei a observar a entrada dos sujeitos que pagaram para assistir o documentário de uma popular banda  americana que completa vinte anos de atividade. Tais sujeitos não pareciam ter vinte anos vida. Mas estavam lá, vários trajando camisas de flanela e usando rabo de cavalo. No cinema.

Eu acompanhei um bom naco da vida desta entidade em tempo real. Mesmo alheio ao seu íntimo, seu processo de criação e suas motivações, conseguiu me conectar com aquelas palavras cantadas em outra língua por um vocalista visceral e fraseados de guitarra hard-classic-dirty. O Pearl Jam é a minha banda.

E nasceu das cinzas do Mother Love Bone, banda de Andy Wood. Mostrado em cenas raras, Wood era um futuro rock star que morreu como tal antes de sê-lo. Seu baixista e seu guitarrista - Jeff Ament e Stone Gossard - seguiram em frente e fundaram um embrião de banda com um surfista de San Diego que enviou uma fita pelo correio. Por que as histórias de sucesso avassalador sempre nascem de forma romântica, alimentando crenças absurdas sobre destino e teorias imponderáveis?

Mesmo acompanhando o PJ em tempo real ao longo dos anos e conhecer boa parte das histórias e lendas nas quais o filme é baseado, é impossível não se emocionar com a compilação de imagens e depoimentos selecionados de alegadas 3 mil horas de material. A cronologia é organizada pela canção que acompanha a cena. Versões envelhecidas e grisalhas dos relutantes heróis contrapondo cabeludas faces joviais. Personagens importantes ganham voz. Kurt Cobain apresenta uma dinâmica no filme que arrefece a lendária rivalidade entre PJ e Nirvana de forma desconcertante. Chris Cornell, sempre de postura fria e distante, aparece mais de uma vez com olhos marejados em seus depoimentos.

Eddie Vedder, 46 de vida, mantém a timidez e os trejeitos do início da carreira. Seja em imagens atuais ou de arquivo, Eddie se mostra sempre introspectivo e desconfortável fora dos palcos. Também não aparenta resquício daquela energia incontrolável que o fazia pular sobre as costas dos seus parceiros ou escalar estruturas de palco durante os shows, comprovando que quando seus demônios internos não te matam, envelhecem com você. Eddie parece estar sempre se perguntando “por quê?”; nunca entendeu o status alcançado por ele e seus amigos de longa data, mas aprendeu muito bem como canalizar tal poder: fazer continuamente o que gosta e drenar uma garrafa de vinho por concerto. Quando aparece falando e mostrando fotos antigas, dá a clara impressão de ser alguém que poderia ser meu vizinho ou um colega de classe, mesmo nos dias de hoje. Provavelmente o convidarei para tomar uma comigo e meus amigos quando a turnê chegar a São Paulo.

Cameron Crowe, cineasta e jornalista talentoso, conhecedor de rock e fã da banda desde o início, foi o responsável por selecionar os momentos que entrariam na película. É considerado um amigo pelos caras, portanto, é meu amigo também. Tomou decisões discutíveis, como excluir o excelente álbum No Code do documentário, colocando apenas uma fala de Eddie justificando que o disco era o mais impessoal dos quatro gravados até então. Não alardeou que o Pearl Jam é a banda mais influente do seu tempo, mais que o incensado Nirvana, mais do que os astros do britpop. Decidiu sabiamente deixar a condução da narrativa a cargo da dupla que começou tudo, Ament e Gossard. Recheou o filme com canções memoráveis em versões inéditas e com aparições importantes (Neil Young, por exemplo). E destacou as idiossincrasias da banda, como a imprevisibilidade dos seus set lists.

Crowe capturou a essência do que é aquilo tudo. Uma banda que nasceu de um momento trágico e sobreviveu às falhas inerentes ao ser humano, inspirou milhões a curtir seu som com membros desprovidos de vocação para rock stars.  Celebrou com gosto os vinte anos da única banda do chamado "movimento grunge" que sobreviveu ao rifle de Kurt Cobain.

O filme conclui o que eu e milhões de seguidores desta entidade já sabíamos: não há grande segredo por trás do sucesso do Pearl Jam. É emoção pura. Coisas abstratas do mundo deles os mantiveram juntos, fazendo boa música com integridade, por muito tempo. São as coisas simples e irracionais, aquelas coisas que proporcionam bem estar.

É sua família. Seus amigos. Sua banda.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MOTORADIO - Random Mode


Tocou hoje no modo randômico do meu player:

Lou Reed - "Perfect Day" (Transformer, 1972)
Steppenwolf - "The Pusher" (Steppenwolf, 1968)
System of a Down - "Spiders" (System of a Down, 1998)
The Clash - "London Calling" (London Calling, 1979)
U2 - "Bullet The Blue Sky" (The Joshua Tree, 1987)
The Stooges - "I Wanna Be Your Dog" (The Stooges, 1969)
Creed - "Overcome" (Full Circle, 2009)

Rock é Rock.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O rock está morto? Vida longa ao Rei!

"Antes de Elvis, não existia nada".

A frase atribuída a um dos mais arrogantes rock stars de todos os tempos - John Lennon - simboliza hoje, 57 anos após ter gravado seu primeiro single, uma verdade indubitável: Elvis Presley é o Rei do Rock. Não foi o criador do estilo - aliás, o cara era um intérprete genial que passeava entre gêneros com competência única - mas sem dúvida foi Elvis quem colocou o rock no mapa da popularidade e da histeria adolescente. Foi também o disseminador da "atitude rock and roll" ao expor sua rebeldia sem causa; chocava a américa conservadora com danças provocativas, empunhava sua guitarra com fúria jovem, teve a existência auto-destrutiva típica de um rock star e fez escola ao morrer dos excessos da fama. Foi o primeiro da espécie a ter projeção maciça na mídia e era um artista sem paralelo. Merece reconhecimento e respeito enquanto a entidade "música" existir. E digo mais: toda banda que se propõe a fazer rock deveria pagar tributo e tirar um som do Rei em seus shows.

Qualquer coisa que se fale sobre o ícone Elvis é amplamente conhecida, portanto, vou parando por aqui. O título do blog não me dá o direito de ser redundante. Mas me obriga a listar minhas canções preferidas da prolífica Carreira Real:
  1. "Guitar Man" (Clambake, 1967)
  2. "A Little Less Conversation" (Almost In Love, 1970)
  3. "Power Of My Love" (From Elvis In Memphis, 1969)
  4. "Rubberneckin'" (Almost In Love, 1970)
  5. "If I Can Dream" (Elvis NBC - TV Special, 1968)
  6. "Burning Love" (Burning Love and Hits From His Movies Vol. 2, 1972)
  7. "Suspicious Minds" (From Memphis to Vegas/From Vegas to Memphis, 1969)
  8. "Spinout" (Spinout, 1966)
  9. "Sylvia" (Elvis Now, 1972)
  10. "Little Sister" (Elvis Golden Records Vol. 3, 1963)
  11. "Heartbreak Hotel" (Elvis Golden Records Vol. 1, 1958)
  12. "Clean Up Your Own Back Yard" (Almost In Love, 1970)
  13. "Stuck On You" (Elvis Golden Records Vol. 3, 1963)
  14. "Are You Lonesome Tonight?" (Elvis By Request - Flaming Star, 1961)
  15. "Way Down" (Moody Blue, 1977)
  16. "That's All Right" (For LP Fans Only, 1959)
  17. "Blue Suede Shoes" (Elvis Presley, 1956)
  18. "Memories" (Elvis NBC - TV Special, 1968)
  19. "Jailhouse Rock" (Elvis Golden Records Vol. 1, 1958)
  20. "Tutti Frutti" (Elvis Presley, 1956)
  21. "A Fool Such As I" (Elvis Golden Records Vol. 2, 1959)
  22. "In The Gheto" (From Elvis In Memphis, 1969)
  23. "Lawdy Miss Clawdy" (For LP Fans Only, 1959)
  24. "Sweet Caroline" (On Stage, 1970)
  25. "Can't Help Falling In Love" (Blue Hawaii, 1961)

Vida longa e próspera, Majestade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

"DESCONHECIDO", de Jaume Collet-Serra

"Unknown" - UK/AL/FR/CA/JP/US - 2010 - Thriller/Ação- 113min. Roteiro: Oliver Butcher e Stephen Cornwell, baseado no romance "Out Of My Head" de Didier Van Cauwelaert. Com Liam Neeson, Diane Kruger, January Jones, Frank Langella, Bruno Ganz, Aidan Quinn.


"Esse livro não é tão bom, mas renderia um filme de ação bem bacana. Vejamos: tenho um ponto de partida intrigante, e uma conclusão divertida e satisfatória. A platéia vai vibrar quando for revelada a natureza da confusão do protagonista. Mas como preencher quase duas horas de filme entre o início promissor e a revelação bacana? Ora bolas, com perseguições pelas ruas de Berlim, lutas, algum suspense, uma partner linda - será que Diane Kruger é inadequada para viver uma taxista? -  e um ator com credibilidade para viver o desmemoriado protagonista... Matt Damon já viveu um desmemoriado? Ok, o papel cai melhor para  um bom ator de meia-idade que saiba fazer filmes de ação. Vamos usar um tema da moda, sustentabilidade, biotecnologia, essas coisas atuais e politicamente corretas. Peraí, cacete... É melhor desenvolver melhor a tal taxista, afinal, por que diabos ela se envolveria com um americano desconhecido, perseguido por gente armada e perigosa? Quer saber, os caras vão ficar pasmos com as cenas de ação - e com a revelação bacana -, nem vão questionar isso. Ele vai sofrer um acidente, ficar em coma, acordar sem os documentos. Assim ninguém vai acreditar quando ele disser que é o tal doutor. E como vou fazer um estrangeiro sem documentos, vitima de um grave acidente, mentalmente confuso, sair de um hospital alemão para curtir a trama bacana que estou pensando para ele? Pela porta da frente! Os caras vão ficar pasmos com as cenas de ação - e com a revelação bacana -, ninguém vai perceber essa pequena concessão. Arrumo dois atores de respeito para serem coadjuvantes de luxo - ligarei para o Frank Langella e um bom ator alemão - escalo uma beldade da moda para ser esposa do protagonista -  a loira do seriado Mad Men está no auge da fama - e pronto. Um jovem diretor estrangeiro atrairá os "indies" para o cinema. Fechou. Vou ligar para a Warner."

E assim Joel Silver contratou a equipe e rodou seu filme, provando de uma vez por todas que os fins não justificam os meios.

NOTA: D


quinta-feira, 30 de junho de 2011

"O CAÇADOR", de Hong-jin Na

"Chugyeogia"- COREIA - 2008 - Policial - 125min. Roteiro de Shinho Lee e Hong-jin Na. Com Yun-seok Kim, Jung-woo Ha, Yeong-hie Seo, Seong-kwang Ha.

O país do cinema "anti-fórmula"
O cinema coreano e sua importante lição: se não é original, seja criativo.

Joong-ho Eom foi expulso da polícia por corrupção. Agora um cafetão ganancioso, desconfia que duas das suas meninas fugiram com o dinheiro que este investira na carreira delas. Quando a terceira desaparece, começa uma investigação por julgar que algum "concorrente" está aliciando e vendendo suas funcionárias. Eis que descobre que o destino das garotas é pior que o imaginado: foram capturadas (e, subentende-se, mortas) por um serial killer. Pegando o maníaco à unha, o entrega à polícia local (sem querer fazê-lo, é verdade). Fim de história, certo? Nada. É apenas o início deste que é o mais intrigante filme do gênero desde Seven.

Com as cartas na mesa desde o princípio - o serial killer é preso e confessa ter assassinado doze pessoas -, o então estreante cineasta Hong-jin Na investe em uma trama à prova de fórmulas e das coincidências inerentes aos enredos de Hollywood.

O curioso cinema praticado na Coréia do Sul tende a apostar no realismo, na violência funcional e em personagens de carne e osso. Não há espaço para ingenuidade ou catarse (é só lembrar de Oldboy). E o complicador: nas exíguas vezes em que ocorre alguma coincidência salvadora, é o vilão quem tira proveito do benefício.

E já falei demais.

Enxuto, tenso e, acredite, bem humorado, o roteiro segue sem concessões até o final, quando descobrimos que em um mundo perfeito, as pessoas procurariam resenhas de um filme somente após assisti-lo.

NOTA: A




"TERRITÓRIO RESTRITO", de Wayne Kramer

"Crossing Over" - EUA - 2009 - Drama - 113min. Roteiro de Wayne Kramer. Com Harrison Ford, Ray Liotta, Ashley Judd, Jim Sturgess, Cliff Curtis, Alice Braga, Alice Eve, Summer Bishil, Jacqueline Obradors, Justin Chon.

Sonho americano formulaico

"Eu adoraria fazer um filme independente, mas assim que meu nome é confirmado no projeto, ele deixa de ser independente".

A frase é atribuída à Harrison Ford, e não há arrogância nenhuma nessa fala; o cara está coberto de razão. Não fosse sua cara na capa, talvez eu passasse longe desse filme montado à moda do superestimado Crash - No Limite. E talvez o roteiro fragmentado jamais virasse película.

O filme tem a pretensão de mostrar as agruras e felicidades de imigrantes em busca do american dream naquele esquema de vários arcos que se encontram, mas derrapa feio ao pintar cores fortes demais em todos os seguimentos. Além da exaurida fórmula utilizada para contar a história, o enredo exagera tanto na disposição dos estrangeiros para correr riscos e ignorar limites em troca do green card como na particularidade estereotipada das famílias retratadas. Tudo isso suportando a cara de sono de Ford e a pele espichada do canastra Ray Liotta.

Todas as micro-histórias são estéreis de emoção, exceto uma: a da menina árabe perseguida pelo FBI após escrever uma redação escolar afirmando "entender os motivos que levaram ao 11 de setembro" e por ser "muçulmana simpatizante ao Jihad", segundo a agente responsável pelo caso. A paranoia americana e o Ato Patriota são usados como catalisadores do ódio de forma verossímil. Por causa desse arco, Território Restrito escapou de ganhar uma merecida nota vermelha.

NOTA: C-